A sociedade, hoje, vive uma carência emocional coletiva muito evidente. Em meio a tanta conectividade tecnológica, estamos cada vez mais desconectados uns dos outros em um sentido mais humano e empático. A necessidade de ser visto, ouvido e validado cresce, enquanto a disposição para oferecer isso ao outro diminui. Muita gente fala, mas poucos realmente escutam. Escutar de verdade — com atenção, sem julgar, sem pensar na resposta enquanto o outro ainda fala — virou quase uma habilidade rara. A maioria quer expor sua dor, sua opinião, sua versão, mas não tem o mesmo interesse em acolher o que o outro tem a dizer. E isso vai alimentando uma cadeia de relações rasas, onde as pessoas se sentem solitárias mesmo rodeadas de gente. Essa carência também faz com que muitos se apeguem a curtidas, visualizações, e a uma presença digital que, muitas vezes, não tem correspondência na vida real. A conversa olho no olho perde espaço para os monólogos nas redes sociais. No fundo, todo mundo está...